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#update 1: 07/04/2017 ás 21:54
 
Contextualização
O setor têxtil é formado por mais de 33 mil empresas instaladas por todo o território nacional, empresas de todos os portes que empregam mais de 1,6 milhão de trabalhadores e geram, juntas, um faturamento anual de US$ 39,3 bilhões em 2015 ante um faturamento de US$ 53,6 bilhões em 2014. É o segundo maior empregador da indústria de transformação no país, com 16,7% das vagas e 5,7% do faturamento. A indústria nacional é a 5ª maior do mundo.
Segue minha matriz BCG para as empresas do setor.
 

Os quadrantes resultantes dessa matriz são assim interpretados:

  • Quadrante superior esquerdo: produtos “estrela”, com alta participação de mercado em um mercado em rápido crescimento;
  • Quadrante inferior esquerdo produtos “vaca-leiteira”, com alta participação de mercado em mercado de lento crescimento;
  • Quadrante inferior direito: produtos “abacaxi” ou “cachorro”, com baixa participação de mercado em mercado de baixo crescimento.
  • Quadrante superior direito: produtos “interrogação”, lançamentos que possuem risco com pequena participação de mercado em mercado de rápido crescimento.

Ano passado fiz uma projeção de faturamento para o setor. Agora comparo com o realizado.

 A Alpargatas e o estado da arte em gestão financeira

Em 23 de maio de 2016 eu escrevi sobre a Alpargatas A minha projeção de faturamento tinha sido de R$ 4,4 bilhões e a empresa faturou R$ 4,1 bilhões. A nova previsão de faturamento é

A empresa está posicionada na matriz BCG como "estrela" (alta participação de mercado e alto crescimento) mas com uma pontinha no quadrante "vaca-leiteira" pois o crescimento tem refletido os últimos anos em que o faturamento cresceu, mas cresceu em um ritmo menor que outros concorrentes. Esse ímpeto do crescimento influencia a matriz que posicionou a empresa com essa pontinha em "vaca-leiteira".

Dentro de minha análise que fiz ano passado, destaco o trecho:

Bom, a empresa está sendo muito preciosa na gestão financeira. Focada em resultado (rentabilidade) ao invés de inchar faturamento, parece até que leu o artigo e fez amplo downgrade em 2016

  • vendeu participações na Tavex reembolsando 4,8 milhões de euros;
  • desinvestiu as divisões da marca Topper e Rainha no Brasil interrompendo o prejuízo dessas divisões, incorporando o caixa em R$ 50 milhões, reduzindo a necessidade de investimento para industrialização da marca Mizuno no país;
  • destratou a licença com a marca Timberland, incorporando ao caixa R$ 40 milhões;

Além do downgrade a empresa percebeu outros pontos estratégicos para a gestão e melhoria de resultados, com foco nas marcas Mizuno e Osklen. Nacionalizou a produção de Mizuno melhorando decisivamente a rentabilidade. De 90% de importação em 2015 para apenas 23% de importação de itens ao final de 2016. Com relação a marca Osklen , fez ampla redução de despesas com foco em aumento de EBITDA, que resultou em melhoria de 2,2% em 2016 com relação a 2015.

A marca Havaianas, tradição da empresa, recebeu em 2016 atenção toda especial . Com extenso foco no branding, experiência e visibilidade da marca e expansão internacional. Sendo um dos pilares estratégicos da empresa para o futuro.

O foco em rentabilidade e zelo pela revitalização do caixa foi decisivo para revigorar a empresa e dar um ritmo de sustentabilidade para a sua operação. Um quadro resumo de algumas informações genéricas comparando a visão da empresa em 2016 e em 2017.

Percebam o impacto na revitalização da tesouraria da empresa (ST). Em 2015 a operação precisando de aporte para financiar as atividades extraiu da tesouraria R$ 60,4 bilhões e com todas as ações financeiras tomadas em 2016 a Alpargatas gera saldo positivo na tesouraria de R$ 267,4 bilhões. Fruto certamente da percepção no caixa da melhoria da rentabilidade líquida, permitiu redução de passivo, foi um espetáculo 2016. Os prazos operacionais (área azul medido em dias) praticamente os mesmos marcados por prazos extenuantes de financiamento das vendas para os clientes (PMR e CF) em detrimento dos prazos de recebimentos (PMR). Mas isso é uma característica comum no setor de varejo têxtil (vestuário).

As cotações das ações da empresa continuam acima de seu valor patrimonial mas coerente com a apreciação do mercado pela empresa. Ela tem bons pagamentos de dividendos usando o aumento de payout para minimizar a redução de lucro.

 
 

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