Última atualização em .

O verdadeiro resultado da Petrobrás no 3T2019

A grande mídia e veículos especializados estamparam o lucro estrondoso da Petrobrás no 3T2019: R$ 8,8 bi. Contudo, o fato que ninguém observou é que isso ocorreu por causa da venda de R$ 9,3 bi de ativos e que na verdade a empresa registrou prejuízo de R$ 0,5 bi. O saldo da tesouraria evaporou com - R$13 bi e o endividamento de curto prazo subiu R$ 38,6 bi. Lucro de R$ 8,8 bi mas o buraco é mais embaixo.

Alguns números comparativos de resultados para o terceiro trimestre.

A produção de óleo e gás atingiu o nível recorde de 3,0 MMboed no mês de agosto, quando também ocorreu um recorde díario de 3,1 MMboed. O ramp-up das novas plataformas influenciou de forma importante o crescimento da produção, tendo o pré-sal sido responsável por 60,4% da produção de óleo total da Petrobras no Brasil.

A empresa, após retirada do PT da direção, tem se tornado cada dia melhor. Com a interrupção da roubalheira, os funcionários certamente devem estar sob uma direção mais operacional e nos deixa sobressaltado aonde estavam diante de tantos descalabros nas gestões petistas. Agora o foco aparenta ser resultado e a empresa melhora em gestão e governança. Dada a escassez de recursos, os projetos têm que competir por capital, que é alocado apenas para os melhores em termos de retorno e risco esperado. Enxugamento da estrutura administrativa e PDV (Plano de Demissão Voluntária) estão à todo vapor.

O lucro anunciado foi mascarado e boa parte do prejuízo apontado no 3T2019 é decorrente da adoção das normas contábeis internacionais pela norma IFRS 16 que normatiza os arrendamentos das empresas. A norma elimina a classificação entre arrendamento mercantil financeiro e operacional, passando a existir somente arrendamento mercantil, que reconhece os  ativos arrendados e passivos do arrendamento. 

Essas mudanças afetam diretamente não apenas o  balanço patrimonial, mas geram impactos no rating de crédito, covenants, processos de aprovação de dividendos. Inclusive, para as demonstrações de resultados, os arrendamentos passarão a ser reconhecidos através da depreciação do ativo de direito de uso e despesas financeiras do passivo. O EBITDA e resultado operacional registrarão aumento e haverá impacto também sobre os indicadores de rentabilidade, por outro lado, a margem de lucro líquido sofrerá queda. Um resumo abaixo:

O EBITDA ajustado foi de R$ 32,6 bilhões, aumento de 9% com relação ao 3T2018 que foi de R$ 29,9 apesar da queda de 18% do preço do Brent de US$ 75,27 no 3T18 para US$ 61,94 por barril no 3T19, o que pode se creditar ao sólido desempenho operacional, com a captura de maiores margens no diesel e no GLP, os maiores volumes de exportação de óleo e de venda de diesel no mercado interno.

No 3T19, o índice dívida líquida/LTM EBITDA ajustado caiu para 2,58x versus 2,69x no 2T19, aplicando os efeitos do IFRS 16 em todo período do LTM EBITDA ajustado. Uma vez expurgados tais efeitos, o índice teria sido 1,96x no 3T19.

A dívida bruta da Petrobras chegou a US$ 90 bilhões em 30.09.2019 contra US$ 101 bilhões no final do 2T19, que era por acaso igual ao valor da dívida externa atual da Argentina. O custo médio da dívida caiu abaixo de 6,0% a.a., chegando a 5,9% a.a., ao mesmo tempo em o prazo médio passou de 10,25 anos no 2T19 para 10,42 anos.

Logo após a divulgação do resultado, as ações da empresa despencaram. Recuperou nos dias seguintes.

Pingbacks

Pingbacks estão abertas.

Trackbacks

Trackback URL

Comentários

Ainda não há comentários.

Publique seu comentário